Google Meu Negócio

    O que psicólogo pode divulgar, e por que o Google resolve mais que o Instagram

    As normas do CFP em linguagem direta, a regra de identificação que mais derruba perfil, por que quase toda restrição mira conteúdo persuasivo, e o cuidado com avaliações do Google que ninguém escreve.

    7 min de leitura

    Quase todo psicólogo que pensa em aparecer na internet trava no mesmo ponto: a dúvida sobre o que o conselho permite. E a dúvida costuma paralisar mais que a regra em si, porque a regra é mais clara do que parece e o medo é difuso.

    Vale separar as duas coisas. O que o Conselho restringe é bem específico. O que ele não toca é justamente o que mais traz paciente.

    As normas, em linguagem direta

    Quatro textos governam a divulgação na psicologia:

    • O Código de Ética Profissional, principalmente o artigo 20
    • A Resolução CFP 003/2007, nos artigos 53 a 58
    • A Nota Técnica CFP 01/2022, escrita especificamente para redes sociais
    • A Resolução CFP 11/2000, com a redação dada pela 23/2007, sobre identificação

    Uma ressalva honesta antes de seguir: a própria cartilha de publicidade do CRP-MG reconhece que essas normas dão diretrizes amplas e não esgotam o tema, principalmente no ambiente digital. Há espaço de interpretação, e ele varia entre regionais. Nada aqui substitui uma consulta ao seu CRP.

    A regra que não tem interpretação

    Essa é objetiva e vale sempre: ao divulgar seus serviços, o psicólogo informa nome completo, CRP e número de registro, e divulga somente títulos e qualificações que possui.

    Parece burocrático e é o detalhe que mais derruba perfil. Um cartão de visita digital sem o número do registro já está fora, por mais sóbrio que seja o resto.

    A segunda metade da regra exige atenção de quem fez muito curso: título que você não tem não entra, e curso de fim de semana não vira especialidade.

    O que costuma ser problema

    Sem entrar em casuística, o que mais aparece em orientação de conselho segue um padrão reconhecível:

    Promessa de resultado. "Supere a ansiedade em oito sessões" é o exemplo clássico. Psicoterapia não tem prazo garantido, e anunciar um transforma o trabalho em produto com entrega certa.

    Sensacionalismo e apelo ao medo. Conteúdo que empurra a pessoa para o atendimento pela angústia, e não pela informação.

    Depoimento de paciente. Aqui o problema é duplo: além da restrição ética à publicidade com depoimento, existe o sigilo. Quem dá o depoimento se identifica publicamente como paciente.

    Prática sem respaldo. O CFP tem nota orientativa sobre coaching, e a hipnose é normatizada como recurso auxiliar pela Resolução 13/2000. Divulgar o que não está respaldado é outro caminho de problema.

    Se esse raciocínio soa familiar, é porque ele se repete em toda profissão regulamentada. Escrevemos o equivalente para advocacia em o que advogado pode anunciar, e para área da saúde em marketing para clínica de estética.

    E aqui entra a diferença entre Google e Instagram

    Essa é a parte que quase ninguém conecta, e é a que muda a estratégia.

    Quase toda restrição do conselho mira conteúdo persuasivo. Promessa, apelo emocional, depoimento, antes e depois. Tudo isso é linguagem de rede social, porque rede social premia justamente isso. É também o que torna anúncio no Meta um terreno mais delicado em psicologia do que em outros setores.

    O Google Meu Negócio não é persuasivo por natureza. Ele é um cadastro: quem você é, onde atende, em que horário, quais abordagens, qual o registro profissional. É informação, não convencimento.

    Ou seja: o canal onde o psicólogo tem mais liberdade é exatamente aquele onde ele costuma investir menos. E é também onde está a pessoa com a intenção mais clara, porque quem digita "psicólogo perto de mim" ou "psicólogo ansiedade" com o nome da cidade não está passando o tempo, está procurando atendimento.

    Instagram pede conteúdo contínuo e caminha perto da linha ética o tempo todo. O perfil no Google é preenchido uma vez, ajustado de vez em quando, e trabalha sozinho.

    O que preencher, e o que isso resolve

    Nome. Seu nome profissional. Resista a enfiar palavra-chave ali, tipo "Psicólogo Ansiedade Depressão" seguido da cidade. O Google trata isso como manipulação e pode suspender o perfil, e o conselho também não gosta.

    Categoria. "Psicólogo" como principal. Categorias secundárias só se realmente se aplicarem.

    Registro. O número do CRP entra na descrição. É a regra de identificação cumprida no canal onde ela costuma ser esquecida.

    Endereço ou área de atendimento. Se você atende presencialmente, endereço completo. Se atende apenas online, o Google permite perfil sem endereço visível, com área de atendimento. Essa distinção importa: consultório com endereço aparece no mapa, atendimento online não aparece, e confundir os dois gera perfil que não rende.

    Horário real. Horário errado gera a pior experiência possível, que é a pessoa tentar contato fora do que você atende e concluir que você não responde.

    Serviços e abordagem. Terapia cognitivo-comportamental, psicanálise, terapia de casal, avaliação psicológica. Aqui você descreve o que faz, sem prometer o que vai acontecer.

    As avaliações, que é onde as duas coisas colidem

    Esse é o ponto mais delicado e o menos escrito.

    Avaliação no Google é pública e fica no perfil. Quem avalia um psicólogo está se identificando como paciente, ou como alguém que procurou atendimento. Isso é escolha da pessoa, e ela pode fazer.

    O que muda é o seu lado:

    Não peça avaliação a paciente. Em outros negócios pedir é rotina e até recomendado. Aqui, solicitar aproxima perigosamente do depoimento, e ainda induz alguém a se expor publicamente como paciente.

    Cuidado redobrado ao responder. Responder "obrigado pelo atendimento de ontem" confirma publicamente que aquela pessoa é sua paciente, e o sigilo é seu, não dela. A resposta segura é genérica e impessoal, do tipo agradecer o contato, sem confirmar nem negar vínculo.

    Avaliação negativa não se responde com defesa. Rebater com detalhes do que aconteceu quebra sigilo na tentativa de se defender. O caminho é resposta curta, impessoal, oferecendo canal direto.

    Isso significa que o perfil de um psicólogo cresce mais devagar em avaliações que o de uma clínica estética, e está tudo bem. Preenchimento completo, categoria certa e horário correto já sustentam o posicionamento local.

    O artigo que você escreve também conta

    Conteúdo informativo é terreno seguro e é onde a psicologia tem vantagem real: explicar o que é um transtorno, como funciona uma primeira sessão, a diferença entre as abordagens, quando procurar ajuda.

    O limite está no mesmo lugar de sempre. Informar sobre ansiedade é informação. Dizer que você resolve a ansiedade é promessa.

    Esse conteúdo precisa de um lugar seu para morar, e é aí que um site próprio passa a fazer diferença: ele guarda o que você escreve, aparece na busca pelo que você explica, e não depende de algoritmo de rede social para ser encontrado.

    Em resumo

    A regra objetiva é identificação completa, com CRP e número, e só os títulos que você tem. O resto das restrições mira persuasão: promessa, apelo emocional, depoimento.

    Nada disso impede o essencial, que é alguém procurando psicólogo na sua cidade encontrar você, com horário certo, abordagem descrita e contato que funciona. Isso é cadastro bem feito, não publicidade.

    É por isso que, em psicologia, o perfil no Google costuma render mais que meses de rede social: ele vive do lado da régua que o conselho não restringe, e atende quem já decidiu procurar. Quando o consultório já tem agenda e quer crescer além disso, o passo seguinte é gestão de tráfego, aí sim com o cuidado de linguagem que a profissão exige.

    Se quiser conferir qualquer ponto específico antes de publicar algo, a consulta ao seu CRP é rápida e evita retrabalho. As regionais orientam sobre isso com frequência.

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