Google Meu Negócio

    Por que sua empresa não aparece no Google, e qual dos três motivos você consegue mudar

    Antes de otimizar, vale separar dois problemas: não aparecer de jeito nenhum e aparecer mal posicionado. O primeiro é verificação, suspensão ou duplicata. O segundo são os três critérios do Google, e um deles não tem conserto.

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    Toda lista de dicas de Google Meu Negócio trata as ações como se valessem o mesmo. Poste toda semana, responda avaliações, preencha o horário, adicione fotos. A lista não mente, mas ela esconde a parte que interessa: boa parte do esforço que ela sugere não mexe na sua posição, e um dos motivos pelos quais você não aparece não tem conserto.

    O Google publica quais são os critérios. São três: relevância, distância e proeminência. Vale separar um do outro, porque o que você faz com cada um é diferente.

    Antes dos três critérios: você aparece mal ou não aparece?

    São dois problemas diferentes com remédios diferentes, e muita gente passa meses tratando o errado.

    Como saber em qual você está. Abra uma janela anônima, sem estar logado, e procure o nome exato da sua empresa mais a cidade. Se o perfil aparecer, mesmo que embaixo, o seu problema é posição, e os três critérios abaixo explicam. Se não aparecer nada, pare: nenhuma otimização vai funcionar até resolver a ausência.

    Perfil não verificado. Sem verificação concluída, ele não entra na busca. Parece óbvio e é a causa mais comum em perfil recém-criado, principalmente quando o cartão de verificação não chegou e ninguém retomou o processo.

    Suspensão, e aqui vale distinguir. O Google tem dois tipos: a leve, que mantém o perfil visível e trava só a edição, e a grave, que remove o perfil da Busca e do Maps e exige recurso para voltar. São situações bem diferentes. Se você ainda enxerga o perfil mas não consegue editar, é a leve. Se ele sumiu, é a grave.

    A causa mais comum de suspensão em negócio pequeno é justamente a que descrevo mais abaixo: palavra-chave enfiada no campo do nome. Também pesam endereço que não corresponde a um local real de atendimento e mudanças bruscas de categoria ou endereço. Vale saber que alguns casos são marcados como sem possibilidade de recurso, normalmente depois de violação repetida ou grave.

    Perfil duplicado. Se existe outro cadastro da mesma empresa, o Google pode marcar o seu como duplicado, e perfil duplicado não aparece. Acontece quando alguém da equipe criou um segundo sem saber, ou quando o Google gerou um automaticamente antes de você reivindicar. Se o duplicado for seu e foi criado por engano, dá para removê-lo sem afetar o verificado, mas confira duas vezes qual você está apagando: a remoção leva junto o conteúdo e os gerentes vinculados.

    Restrição na conta, não no perfil. Essa é a menos óbvia. O perfil pode estar correto e a conta Google que o administra estar restrita, e o efeito é o mesmo. Dá para checar isso nas restrições da sua conta Google, e é o primeiro lugar a olhar quando nada no perfil explica o sumiço.

    Resolvida a ausência, aí sim a conversa passa a ser sobre posição, que é o resto deste artigo.

    Distância: o motivo que você não muda

    A distância é medida entre quem busca e o seu endereço. Não entre você e o centro da cidade, nem entre você e o bairro que você gostaria de atender. Entre o seu ponto e o celular da pessoa naquele instante.

    É por isso que você se procura no Google, não se acha, e um cliente a três quarteirões te acha em primeiro. Os dois resultados estão certos. São buscas diferentes, porque foram feitas de lugares diferentes.

    Essa é a parte mais importante e a menos dita: existe um raio além do qual o seu perfil não vai aparecer, por melhor que ele esteja. Nenhuma quantidade de postagem, foto ou avaliação muda a sua localização. Quem promete posição em uma cidade inteira a partir de um endereço está vendendo o que não controla.

    A consequência prática é direta. Se o seu cliente está dentro do raio, o perfil é o melhor investimento que existe, porque custa zero. Se boa parte dele está fora, o perfil não é a alavanca, e insistir nele é gastar meses para descobrir isso. Nesse caso o caminho é anúncio pago, que escolhe o raio em vez de obedecer a ele.

    Relevância: o motivo que você muda na mesma tarde

    Relevância é o quanto o seu perfil corresponde ao que a pessoa procurou. É aqui que mora quase tudo o que você consegue resolver sozinho, e é a parte que a maioria deixa pela metade.

    Preencher o perfil inteiro não é burocracia, é o que diz ao Google para quais buscas você serve. Um perfil com a categoria certa, a lista de serviços escrita, o horário real e a descrição preenchida aparece para mais buscas que um perfil com nome, telefone e nada mais. Não porque o Google premia quem preenche, mas porque ele não tem como te associar a um serviço que você não declarou.

    Dois erros que aparecem sempre:

    Categoria genérica. Escolher "Empresa" ou "Serviço" em vez da categoria específica. A categoria é o sinal mais forte de relevância que existe, e trocá-la leva um minuto.

    Palavra-chave enfiada no nome. Colocar "Clínica Fulano Fisioterapia RPG Pilates Acupuntura" no campo do nome. Isso viola as diretrizes do Google e pode suspender o perfil. O ganho é nenhum, o risco é perder a ficha inteira.

    Proeminência: o motivo que leva meses

    Proeminência é o quanto o seu negócio é conhecido. O Google cita duas coisas que usa para medir isso: quantos sites apontam para você e quantas avaliações você tem.

    Isso significa que proeminência é lenta por natureza. Não existe ação de uma tarde. Existe pedir avaliação a cada cliente atendido, de forma consistente, por meses. E existe seu negócio ser citado em outros lugares da internet, o que depende de ter um site que mereça ser citado, não só um perfil.

    Uma ressalva que vale para profissões reguladas: avaliação de paciente ou cliente não é livre em todo conselho. Se você é da saúde ou do direito, as regras do seu conselho mandam mais que as do Google, e vale conferir antes de pedir avaliação em série.

    O que o Google diz que não existe

    Há uma frase na documentação oficial que resolve metade das propostas que chegam a dono de negócio local: não há forma de solicitar ou pagar por uma posição melhor no resultado local.

    Não existe o pacote que coloca você em primeiro no mapa. Não existe o contato que acelera. O que existe é anúncio, que é outra coisa, aparece marcado como anúncio e você paga por clique. Quem oferece posição orgânica garantida no Maps está prometendo algo que o próprio Google diz que não vende.

    Como usar os três juntos

    A ordem que faz sentido é a inversa da que as listas sugerem.

    Primeiro, veja se o seu cliente está no seu raio. É a pergunta que decide se o resto vale a pena. Se o seu negócio atende a cidade toda ou várias cidades, o perfil sozinho não dá conta, e você precisa de uma estratégia que não dependa de distância.

    Segundo, feche a relevância. É o que você resolve essa semana, de graça, e é onde está a maior parte do ganho possível para quem nunca preencheu o perfil direito.

    Terceiro, trate proeminência como rotina, não como projeto. Pedir avaliação depois de cada atendimento rende mais em seis meses do que qualquer esforço concentrado em uma semana.

    E aceite que o primeiro motivo pode ser o seu. Descobrir cedo que a distância é o seu limite vale mais do que meses otimizando um perfil que nunca vai aparecer para quem você quer alcançar.

    E se o seu cliente está longe, o perfil não vai te levar até ele. Aí a conversa é sobre Google Ads, que escolhe onde aparecer em vez de depender de onde você está.

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